O primeiro grande pomo de discórdia entre a classe artística brasileira no início da ditadura militar foi o “nacionalismo”. Em discussão, o movimento tropicalista e seu aproveitamento do rock, da cultura de massa, da guitarra elétrica, acompanhado de uma recusa dos projetos e das utopias de poder da esquerda tradicional brasileira. Um conservadorismo estético e comportamental, portanto, bifronte: ora de esquerda, ora de direita. E, com relação a esta querela nacionalista e às críticas contra a guitarra, a linguagem do espetáculo, a estratégia pop da Tropicália, contra Caetano cantando em inglês, é interessante lembrar o comentário de Roberto Schwarz: “Caetano sempre quis cantar nessa língua, que ouvia no rádio desde pequeno. E é claro que cantando em inglês com pronúncia nordestina registra um momento substancial de nossa história e imaginação”. Flora Süssekind. Literatura e vida literária: polêmicas, diários e retratos. Belo Horizonte: UFMG, 2004, p. 48-9 (com adaptações). Sobre a cabeça os aviões Sob os meus pés os caminhões Aponta contra os chapadões Meu narizEu organizo o movimento Eu oriento o carnaval Eu inauguro um monumento no planalto central Do paísCaetano Veloso. Tropicália. 1968.A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.Tanto o Modernismo quanto o Tropicalismo aderiram, em seus respectivos contextos históricos, às políticas de Estado para a cultura e para o desenvolvimento nacional de seu tempo, como mostram os versos apresentados da canção Tropicália.
artística brasileira no início da ditadura militar foi o
“nacionalismo”. Em discussão, o movimento tropicalista e seu
aproveitamento do rock, da cultura de massa, da guitarra elétrica,
acompanhado de uma recusa dos projetos e das utopias de poder da
esquerda tradicional brasileira. Um conservadorismo estético e
comportamental, portanto, bifronte: ora de esquerda, ora de direita.
E, com relação a esta querela nacionalista e às críticas contra a
guitarra, a linguagem do espetáculo, a estratégia pop da Tropicália,
contra Caetano cantando em inglês, é interessante lembrar o
comentário de Roberto Schwarz: “Caetano sempre quis cantar nessa
língua, que ouvia no rádio desde pequeno. E é claro que cantando
em inglês com pronúncia nordestina registra um momento
substancial de nossa história e imaginação”.
A partir dos textos apresentados, julgue o próximo item, a respeito do Modernismo brasileiro e do Tropicalismo.
Tanto o Modernismo quanto o Tropicalismo aderiram, em seus
respectivos contextos históricos, às políticas de Estado para a
cultura e para o desenvolvimento nacional de seu tempo, como
mostram os versos apresentados da canção Tropicália.
- C) CERTO
- E) ERRADO
Resposta:
A alternativa correta é E)
O movimento tropicalista, assim como o Modernismo brasileiro, surgiu em contextos históricos distintos, mas ambos representaram rupturas estéticas e culturais em suas épocas. No entanto, a afirmação de que tanto o Modernismo quanto o Tropicalismo aderiram às políticas de Estado para a cultura e o desenvolvimento nacional é equivocada, especialmente no caso do Tropicalismo.
O Modernismo, na década de 1920, teve um caráter mais assimilado pelo discurso nacionalista, ainda que crítico, em busca de uma identidade cultural brasileira. Já o Tropicalismo, nos anos 1960, emergiu como uma resposta à rigidez do nacionalismo cultural defendido tanto pela esquerda tradicional quanto pelo regime militar. A canção Tropicália, de Caetano Veloso, exemplifica essa postura ao misturar referências internacionais (como o rock) com elementos locais, desafiando as noções puristas de cultura nacional.
Os versos apresentados — "Eu organizo o movimento / Eu oriento o carnaval / Eu inauguro um monumento no planalto central do país" — podem ser lidos como uma ironia ao discurso desenvolvimentista e ufanista do governo militar, e não como uma adesão. A Tropicália, portanto, não se alinhou às políticas oficiais, mas as subverteu através de uma estética híbrida e crítica.
Assim, a afirmação está errada, pois o Tropicalismo não endossou as políticas culturais do Estado, mas as questionou através de sua linguagem inovadora e transgressora.

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