Muitos educadores, reconhecendo que a velocidade de aprendizado pode variar de criança para criança, isolam os “aprendizes lentos” de seus professores e companheiros através do uso de instrução programada e muitas vezes mecanizadas. Vygotsky, valendo-se do conceito da zona de desenvolvimento proximal, vê o aprendizado como
Muitos educadores, reconhecendo que a velocidade de aprendizado pode variar de criança para criança, isolam os “aprendizes
lentos” de seus professores e companheiros através do uso de instrução programada e muitas vezes mecanizadas.
Vygotsky, valendo-se do conceito da zona de desenvolvimento proximal, vê o aprendizado como
- A)dois processos distintos: um está relacionado ao interesse e esforço do aluno e o outro diz respeito àquele que é participativo e pesquisa a informação que lhe é transmitida.
- B)um processo profundamente social, enfatizando o diálogo e as diversas funções da linguagem na instrução e no desenvolvimento cognitivo mediado.
- C)processos diferenciados, pois existem alunos que apresentam capacidade cognitiva de apreensão do conhecimento e outros com déficit intelectual, por isso desatentos.
- D)um processo de se obter conhecimento, desde que se aplique técnicas de motivação adequadas à fase de desenvolvimento dos alunos.
- E)um processo de aprendizado que depende fundamentalmente do componente afetivo para que o aluno interaja com o conhecimento ensinado.
Resposta:
A alternativa correta é B)
O texto apresentado aborda uma questão fundamental no campo da educação: a variação no ritmo de aprendizado entre as crianças e como os educadores lidam com essa diversidade. A citação inicial destaca uma prática comum, porém problemática, de isolar os chamados "aprendizes lentos" através de métodos mecanizados de ensino, como a instrução programada. Essa abordagem ignora a complexidade do processo de aprendizagem e a importância das interações sociais no desenvolvimento cognitivo.
Lev Vygotsky, um dos principais teóricos da psicologia do desenvolvimento, oferece uma perspectiva alternativa através do conceito de zona de desenvolvimento proximal. Para Vygotsky, o aprendizado não é um processo individual e isolado, mas sim profundamente social. A alternativa B corretamente sintetiza sua visão, ao enfatizar o papel do diálogo e das diversas funções da linguagem na mediação do desenvolvimento cognitivo. Nessa perspectiva, a interação com professores e colegas mais capazes é essencial para que a criança avance em seu aprendizado, superando os limites do que poderia alcançar sozinha.
As demais alternativas apresentam visões parciais ou distorcidas da teoria vygotskyana. Embora aspectos como interesse do aluno (A), motivação (D) e componente afetivo (E) sejam relevantes para o processo educacional, não representam o cerne da teoria de Vygotsky, que coloca as interações sociais e a mediação cultural como centrais para o desenvolvimento cognitivo. Da mesma forma, a ideia de déficit intelectual (C) não se alinha com sua concepção de aprendizado como processo socialmente mediado.
Portanto, a resposta correta é de fato a alternativa B, que capta a essência da teoria de Vygotsky ao reconhecer o aprendizado como um processo social, mediado pela linguagem e pelas interações com outros indivíduos mais experientes. Essa compreensão tem implicações importantes para a prática educativa, sugerindo que o isolamento de estudantes considerados "lentos" é contraproducente, e que a colaboração e o diálogo devem ser privilegiados em sala de aula.

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