As potências europeias utilizaram o sistema de colonização na América durante séculos. Quase todas essas colônias foram perdidas entre os séculos XVIII e XIX. A partilha da África, a partir do final do século XIX, passou a cumprir uma nova etapa no processo de submissão do globo terrestre aos europeus, agora já numa fase capitalista e imperialista. Assinale a opção que é representativa do momento histórico em pauta, conhecido como a partilha do continente africano.
- A) Uma das motivações mais importantes do processo de partilha da África foi a luta das potências europeias para por fim ao Estado Livre do Congo, transformando-o em uma colônia pertencente a uma nação, a Bélgica, deixando de ser uma possessão de um só indivíduo, o seu rei.
- B) A enorme resistência do rei Leopoldo TI da Bélgica ao processo de partilha da África era o de perder o Estado Livre do Congo para alguma outra potência.
- C) A reação africana foi contundente e unânime contra o processo de partilha, inexistindo aceitação e assinaturas de tratados entre as potências europeias e chefes locais.
- D) O domínio direto das potências da Europa sobre o continente africano era uma realidade séculos antes do processo de partilha, constituindo-se este apenas em uma formalidade que iria conferir legitimidade a essas conquistas nos fóruns de representação das nações europeias.
- E) O domínio de Leopoldo II da Bélgica foi um dos importantes episódios propulsores de uma disputa mais intensa pela África e do consequente processo de partilha do continente pelas potências europeias.
Resposta:
A alternativa correta é letra E) O domínio de Leopoldo II da Bélgica foi um dos importantes episódios propulsores de uma disputa mais intensa pela África e do consequente processo de partilha do continente pelas potências europeias.
Gabarito: Letra E
(O domínio de Leopoldo II da Bélgica foi um dos importantes episódios propulsores de uma disputa mais intensa pela África e do consequente processo de partilha do continente pelas potências europeias.)
A partilha da África, a partir do final do século XIX, passou a cumprir uma nova etapa no processo de submissão do globo terrestre aos europeus, agora já numa fase capitalista e imperialista. Durante esse período, uma série de viagens exploratórias e de missionários religiosos adentraram o continente visando reconhecer o território e suas riquezas para serem apropriadas pelos países europeus.
O ponto alto da partilha do continente africano ocorreu com a Conferência de Berlim (1884-1885). Embora ela não tenha dividido a África entre as potências europeias, a reunião marcou o início de uma corrida para o continente que resultou no estabelecimento de acordos e tratados de limites e fronteiras entre os europeus, pois um dos princípios defendidos na Conferência foi o princípio da ocupação efetiva do território que assegurava a quem se instalasse e colonizasse uma determinada área do continente teria o direito garantido de posse.
Leila Hernandez aponta que um dos motivos para a convocação da Conferência de Berlim e a organização de conquistas futuras no continente africano se deu pelo interesse do rei belga, Leopoldo II, em fundar um império ultramarino com o discurso de levar a civilização cristã ao continente africano.
Décadas antes da reunião, Leopoldo II havia patrocinado uma série de expedições pela África Central, fundado associações filantrópicas e geográficas, com o intuito de futuramente ter seu direito de conquista reconhecido pelas outros países europeus sobre a área do Congo, o que resultou mais tarde na aprovação da criação do Estado Livre do Congo que, na verdade, era uma área privada do rei belga.
Por que as demais estão incorretas?
Letra A: Uma das motivações mais importantes do processo de partilha da África foi a luta das potências europeias para por fim ao Estado Livre do Congo, transformando-o em uma colônia pertencente a uma nação, a Bélgica, deixando de ser uma possessão de um só indivíduo, o seu rei.
As potências europeias reconheceram o Estado Livre do Congo como uma colônia pertencente à Bélgica, mas na verdade era a uma área pertencente ao rei Leopoldo II.
Letra B: A enorme resistência do rei Leopoldo TI da Bélgica ao processo de partilha da África era o de perder o Estado Livre do Congo para alguma outra potência.
Leopoldo II não tinha resistência ao processo de partilha da África, sendo um dos principais protagonistas. O rei desejava garantir o seu território no continente e para tanto foi um dos principais defensores de uma reunião para organizar a corrida para o continente africano.
Letra C: A reação africana foi contundente e unânime contra o processo de partilha, inexistindo aceitação e assinaturas de tratados entre as potências europeias e chefes locais.
Houve reação dos africanos ao avanço europeu sobre o continente, entretanto, muitos governantes africanos realizaram acordos e tratados com as potências europeias, possibilitando a ocupação de territórios na África.
Letra D: O domínio direto das potências da Europa sobre o continente africano era uma realidade séculos antes do processo de partilha, constituindo-se este apenas em uma formalidade que iria conferir legitimidade a essas conquistas nos fóruns de representação das nações europeias.
Antes da corrida para o continente africano no final do século XIX, os europeus não tinham domínio direto sobre o continente. As potências europeias estavam restritas a alguns entrepostos comerciais ao longo do litoral africano. Essa situação muda no século XIX com a presença cada vez maior de missionários e exploradores do continente e culmina com a realização da Conferência de Berlim, ponta de lança para a penetração mais efetiva da África nas décadas seguintes.
Referência:
HERNANDEZ, Leila Maria Gonçalves Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.
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