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O estudo das relações entre a Europa e a África mostra que o ponto de vista europeu prevaleceu sempre sobre o africano. Na verdade, durante o período colonial, esta relação nunca foi entre iguais e, no presente, a situação não é muito diferente. Sobre a História africana e suas relações com a Europa, leia as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:

I – As colônias constituíam zonas atrativas para o povoamento dos brancos, atendendo a que, até meados do século XIX, os brancos que viviam, na África, tinham, em média, uma esperança de vida dez anos mais alta do que na Europa.

II – Se for tida em conta a expansão portuguesa, entre a chegada ou a descoberta de Angola, em 1482, e a fundação de Luanda, primeiro estabelecimento português permanente, no litoral angolano, em 1576, decorreu quase um século, mais precisamente, 94 anos.

III – A África integrou-se, ou melhor, foi integrada, na economia mundial como fornecedora das matérias-primas necessárias para fazer florescer as indústrias metropolitanas ou europeias.

Resposta:

A alternativa correta é letra E) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.

Gabarito: Letra E

 

As assertivas corretas são II e III.

 

Vamos comentar as proposições.

 

I – As colônias constituíam zonas atrativas para o povoamento dos brancos, atendendo a que, até meados do século XIX, os brancos que viviam, na África, tinham, em média, uma esperança de vida dez anos mais alta do que na Europa. (INCORRETA)

 

Desde o século XV, os territórios do continente africano eram vistos apenas com interesses lucrativos e comerciais. Ao lado da visão econômica, a visão social afirmava que as colônias na África eram vistas como lugares abarrotados de escravos bem como locais de depósito de degredados. Assim, as colónias estavam longe de serem zonas atrativas para o povoamento branco. De acordo com José Filipe Pinto, atendendo a que, até meados do século XIX, os brancos que viviam em África tinham, em média, uma esperança de vida dez anos mais baixa do que na Europa. Se a este elemento for acrescentado que, nessa época, nenhuma criança branca nascida em África conseguiu sobreviver, é fácil concluir que a África ao Sul do Saara era uma zona repulsiva para a colonização branca.

 

II - Se for tida em conta a expansão portuguesa, entre a chegada ou a descoberta de Angola, em 1482, e a fundação de Luanda, primeiro estabelecimento português permanente, no litoral angolano, em 1576, decorreu quase um século, mais precisamente, 94 anos. (CORRETA)

 

O processo de roedura do continente africano, expressão utilizada por Leila Hernandez teve seu início nas primeiras décadas do século XV, quando os portugueses atravessaram o Mediterrâneo e conquistaram a cidade de Ceuta em 1415, no norte da África. A partir daí, o litoral do continente passou a ser visitado constantemente pelos lusitanos que estavam realizando o projeto de chegar ao Oriente contornando as terras africanas. Uma dos principais feitos dos portugueses na África foi a expedição que chegou na região onde se situa o Congo e Angola em 1482. Dessa data até o primeiro núcleo de povoamento/exploração português no continente decorreu 94 anos, pois em 1576 foi fundada a cidade de São Paulo de Luanda.

 

III – A África integrou-se, ou melhor, foi integrada, na economia mundial como fornecedora das matérias-primas necessárias para fazer florescer as indústrias metropolitanas ou europeias. (CORRETA)

 

Durante a expansão da industrialização e do capitalismo no século XIX, o continente africano passou por uma etapa de ocupação de territórios por parte dos europeus, processo histórico conhecido como Imperialismo. Nesse contexto, a África foi integrada, na economia mundial como fornecedora das matérias-primas necessárias para as indústrias europeias. Essa integração exigiu um conhecimento mais profundo das riquezas africanas e foi em nome desse inventário que a Europa se decidiu por uma partilha do continente que não levou em conta a identidade dos povos e etnias africanas.

   

Referências:

 

HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.

 

PINTO, José Filipe. As relações Europa-África: Perspectiva Diacrônica. Africanologia - Revista Lusófona de Estudos Africanos

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