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Texto I


Na América, contudo, como em escala mundial desde 500 anos atrás, o capital existe apenas como o eixo dominante da articulação conjunta de todas as formas historicamente conhecidas de controle e exploração do trabalho, configurando, assim, um único padrão de poder, histórico- estruturalmente heterogêneo, com relações descontínuas e conflitivas entre seus componentes. […] A dominação é o requisito da exploração, e a raça é o mais eficaz instrumento de dominação que, associado à exploração, serve como o classificador universal no atual padrão mundial de poder capitalista. […]


(BALANDIER, Georges. 1993.)


Texto II


O Imperialismo surgiu como desenvolvimento e continuação direta das características fundamentais do capitalismo em geral. Mas o Capitalismo só se transformou em Imperialismo Capitalista quando chegou a um determinado grau, muito elevado, do seu desenvolvimento, quando algumas das características fundamentais do Capitalismo começaram a transformar-se na sua antítese, quando ganharam corpo e se manifestaram em toda a linha os traços da época de transição do Capitalismo para uma estrutura econômica e social mais elevada.

 

(LENINE, Vladimir Llitch. 1984.)


Tendo em vista os contextos colonialista e neocolonialista dos respectivos séculos XVI e XIX, é correto afirmar, acerca da relação entre dominação colonial e capitalismo, que:

Resposta:

A alternativa correta é letra C) Tanto num caso quanto no outro pode-se considerar que as práticas de dominação, com a intervenção maior ou menor do Estado, colaboraram com a expansão capitalista.

Gabarito: Letra C
 

Tanto num caso quanto no outro pode-se considerar que as práticas de dominação, com a intervenção maior ou menor do Estado, colaboraram com a expansão capitalista.

 

Os dois textos abordam momentos de expansão do capitalismo, porém em contextos diferentes. 
 

O primeiro autor trata do processo conhecido como expansão marítima e seus colonialismos ocorrido entre os séculos XV e XVIII. Nessa fase, o capitalismo é conhecido pela sua etapa denominada comercial, onde se afirma pela lógica do comércio colonial, buscando as especiarias produzidas por suas colônias para vender no mercado europeu, procurando metais ou pedras preciosas, lucrando com o comércio colonial, estabelecendo protecionismos para favorecer a balança comercial. Nessa etapa capitalista, o estado moderno se fez bastante presente, principalmente com a política econômica conhecida como mercantilismo, que pregava a intervenção estatal na economia.
 

A partir do século XVIIII com o advento da Revolução Industrial, do Iluminismo e das filosofias do liberalismo político e econômico, o Estado passou a ser menos presente na economia, o que não significa ausente. Essa nova fase do capitalismo conhecida como industrial se pautou pela busca de mercados consumidores para os artigos industrializados e matéria-prima para as indústrias, seja como fonte de energia (carvão mineral) ou como item inicial para a produção (lã, algodão).
 

No século XIX, o capitalismo entrou em uma nova fase, denominada de capitalismo monopolista. Essa nova concepção de capitalismo está inserida no contexto da Era dos Imperialismos ou neocolonialismo, onde as nações europeias através de nova intervenção na economia, através de protecionismos, estão buscando áreas de influência para expandir seus capitais, obter mercado consumidor e explorar a mão de obra nativa, principalmente a africana e a asiática. 

  

Por que as demais estão incorretas?
 

Letra A: Em ambos os casos, as alterações sociais estão ligadas apenas às questões culturais e étnicas, como comprovam os textos, e não às questões econômicas de fato.
 

Não é possível dissociar o processo de expansão europeia pelo mundo de questões econômicas. Tanto no colonialismo dos séculos XV a XVIII, quanto no neocolonialismo, as alterações sociais estão ligadas também à economia e à busca por enriquecimento do estado e de agentes que comercializam com o estado.
 
Letra B: No Colonialismo do século XVI, a teoria do Darwinismo social possibilitou uma miscigenação não aceita mais tarde, no contexto do Neocolonialismo do século XIX.

 

A teoria do Darwinismo social deriva da teoria Darwinista de evolução das espécies, porém classificando a espécie humana em graus de inferioridade e superioridade. Essas duas teorias só aparecem no século XIX e não no colonialismo dos séculos XV a XVIII. 
 
Letra D: No conjunto das relações estabelecidas, em ambos os contextos, nota-se a preocupação com a manutenção do Antigo Regime e de suas características socioeconômicas aristocráticas

 

Somente no colonialismo dos séculos XV a XVIII podemos notar a presença do Antigo Regime e de suas características, pois o estado promotor da expansão colonial era fruto dessa sociedade baseada em privilégios e hierarquias sociais. Na expansão capitalista neocolonial, o estado assumiu seu caráter liberal, fruto das diversas revoluções ocorridas na Europa (Industrial, Francesa e Liberais), deixando para trás a marca do feudalismo e do Antigo Regime que existia até então.

  

Referências:
 

COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 1. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
 

COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 2. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
 

SILVA, Kalina Vanderlei e SILVA, Maciel Henrique. "Capitalismo". In: Dicionário dos conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2009.

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