Tomai o fardo do Homem Branco
Enviai vossos melhores filhos
Ide, condenai seus filhos ao exílio
Para servirem aos vossos cativos;
Para esperar, com chicotes pesados
O povo agitado e selvagem
Vossos cativos, tristes povos,
Metade demônio, metade criança.
(…)
Rudyard Kipling. O fardo do Homem Branco, 1889
Considerando esse fragmento do poema, assinale a opção correta, a respeito do processo de partilha da África pelos europeus no século XIX.
- A) O poema tece uma crítica à abolição da escravidão africana no mundo no século XIX, medida da qual o Brasil foi pioneiro.
- B) O poema reflete a posição condenatória que a Igreja Católica tinha sobre a escravização de africanos.
- C) O poema expõe as bases ideológicas do processo de partilha da África no século XIX pelos países europeus.
- D) O poema refere-se ao esforço dos missionários na catequização dos indígenas brasileiros.
- E) O poema expõe a bravura das tribos africanas na derrota aos países europeus durante a tentativa de partilha da África no século XIX.
Resposta:
A alternativa correta é letra C) O poema expõe as bases ideológicas do processo de partilha da África no século XIX pelos países europeus.
Gabarito: Letra C
O poema expõe as bases ideológicas do processo de partilha da África no século XIX pelos países europeus.
O poema do britânico Rudyard Kipling é intitulado "O fardo do homem branco". Nele, o poeta demonstra a necessidade dos europeus saírem da Europa e levarem a civilização aos demais povos considerados pelas visões de seus contemporâneos como primitivos e atrasados, sem religião, leis e cultura.
As línguas europeias, a religião cristã, as técnicas, a educação, a medicina e até mesmo noções de higiene deveriam ser levadas aos “selvagens”, isto é, os não-brancos. Este era o “fardo”, a missão difícil e pesada do homem branco “civilizado” para os “tristes povos, metade criança, metade demônio”.
Por que as demais estão incorretas?
Letra A: O poema tece uma crítica à abolição da escravidão africana no mundo no século XIX, medida da qual o Brasil foi pioneiro.
O poema não é uma crítica à abolição da escravidão e muito menos o Brasil foi o pioneiro na emancipação dos escravizados. O Brasil foi um dos últimos países a encerrar a escravidão, ocorrida em 1888. O poema de Kipling era um chamado aos brancos europeus a irem para a África e a Ásia levar a civilização aos povos não europeus.
Letra B: O poema reflete a posição condenatória que a Igreja Católica tinha sobre a escravização de africanos.
O poema não aborda em nenhum momento a Igreja Católica e suas posições em relação à escravidão e ao imperialismo.
Letra D: O poema refere-se ao esforço dos missionários na catequização dos indígenas brasileiros.
O poema refere-se ao esforço dos europeus em levar a civilização aos não europeus e não está ligado ao contexto de catequização de indígenas brasileiros.
Letra E: O poema expõe a bravura das tribos africanas na derrota aos países europeus durante a tentativa de partilha da África no século XIX.
O poema expõe a necessidade do europeu deixar o seu continente para levar cultura, religião, organização social e educação aos povos não europeus, que ainda estavam na infância da civilização, se pensarmos como os intelectuais daquele período que classificavam os povos conforme escalas raciais. O poema não aborda a bravura das tribos africanas que resistiram bravamente ao avanço colonizador em fins do século XIX, mas que acabaram sendo vencidas pelos europeus.
Referências:
DOMINGUES, Joelza Ester. "O fardo do homem branco". Blog: Ensinar História. Disponível em: https://ensinarhistoria.com.br/o-fardo-do-homem-branco-exaltacao-do-imperialismo/
SERIACOPI, Gislane Campos Azevedo e SERIACOPI, Reinaldo. Inspire história: 8º ano: ensino fundamental: anos finais. São Paulo: FTD, 2018.
VICENTINO, Cláudio e VICENTINO, José Bruno. Teláris história, 8º ano: ensino fundamental, anos finais. São Paulo: Ática, 2018.
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