O historiador Jacques Le Goff, analisando o Ocidente europeu na Idade Média, comenta: O conflito entre o tempo da Igreja e o tempo dos mercadores afirma-se pois em plena Idade Média, como um dos acontecimentos maiores da história mental destes séculos, d urante os quais se elabora a ideologia do mundo moderno, sob a pressão da alteração das estruturas e das práticas econômicas. LE GOFF, Jacques. Para um novo conceito de Idade Média: tempo, trabalho e cultura no Ocidente. Lisboa: Estampa, 1979. p. 45. Esse conflito referido pelo autor diz respeito
O historiador Jacques Le Goff, analisando o Ocidente europeu na Idade Média, comenta:
O conflito entre o tempo da Igreja e o tempo dos mercadores afirma-se pois em plena Idade Média, como um dos acontecimentos maiores da história mental destes séculos, d urante os quais se elabora a ideologia do mundo moderno, sob a pressão da alteração das estruturas e das práticas econômicas.
LE GOFF, Jacques. Para um novo conceito de Idade Média: tempo, trabalho e cultura no Ocidente. Lisboa: Estampa, 1979. p. 45.
Esse conflito referido pelo autor diz respeito
- A)à tensão entre a moral burguesa, que defendia o ?justo preço? e a moderação do lucro, e os valores clericais, que enalteciam o ócio, como expressão da confiança na Providência.
- B)à contradição entre a exploração dos servos, a qual sustentava a produção nos domínios feudais, e a concepção de uma sociedade fraterna defendida pela Igreja.
- C)às dificuldades de conciliação entre os interesses religiosos das Cruzadas e as ambições das cidades italianas, que lucravam com as novas rotas comerciais abertas pelo movimento cruzadista.
- D)à incompatibilidade entre o ponto de vista defendido pela Igreja sobre a economia e as ideias capitalistas da burguesia, a qual gradativamente se consolidava.
Resposta:
A alternativa correta é D)
O historiador Jacques Le Goff, ao analisar o Ocidente europeu na Idade Média, destaca um conflito fundamental que moldou a mentalidade da época: a tensão entre o tempo da Igreja e o tempo dos mercadores. Essa oposição não se limitava apenas a uma disputa sobre a medição do tempo, mas refletia um choque mais profundo entre duas visões de mundo em transformação.
O texto de Le Goff aponta para a incompatibilidade entre a concepção religiosa do tempo, baseada em ciclos naturais e ritmos litúrgicos, e a nova temporalidade linear e quantificada dos comerciantes. Essa contradição, conforme o autor, foi um dos eventos mais significativos na formação da ideologia do mundo moderno, surgida sob a pressão das mudanças econômicas.
A alternativa correta (D) capta precisamente esse conflito ao mencionar a incompatibilidade entre a visão eclesiástica da economia e as ideias capitalistas emergentes da burguesia. A Igreja medieval mantinha uma postura tradicional que condenava a usura e defendia princípios como o "justo preço", enquanto a nascente burguesia mercantil desenvolvia práticas e valores que prenunciavam o sistema capitalista.
As outras alternativas não correspondem ao cerne do conflito descrito por Le Goff. A alternativa A distorce os valores clericais (que não enalteciam o ócio) e a moral burguesa (que não defendia moderação do lucro). A alternativa B desvia o foco para a relação entre servos e senhores feudais, que não é o tema do trecho. Já a alternativa C, embora mencione um aspecto histórico relevante, aborda uma questão específica (Cruzadas) que não reflete o conflito mais amplo entre temporalidades e mentalidades mencionado pelo autor.
Portanto, a alternativa D é a que melhor traduz o "conflito entre o tempo da Igreja e o tempo dos mercadores" como expressão do choque entre a ordem medieval em declínio e os valores modernos em ascensão.

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