Mas foram determinados traços de mentalidade, peculiares aos colonizadores portugueses, que permitiram operar a seleção das técnicas adotadas, a retirar, da botica da natureza, certas substâncias e não outras, imprimindo sentido nos arranjos culturais e influindo sobre a história dos homens. Mentalidade que não se apresentava quase imóvel, como nos trabalhos de Philippe Ariès, mas passível de alterar-se aos poucos, sob o impacto da “agitação de superfície” representada pela adoção de novas técnicas e de novos costumes. Mentalidade, por outro lado, a constituir o substrato comum de práticas diversas: há analogia, para Sérgio Buarque de Holanda, entre o fascínio lusitano pelo ultramar e o fascínio dos mamelucos paulistas pelo interior, as monções assumindo, neste imaginário, a forma de uma “imigração ultramarina”. Trata-se, assim, do mesmo objeto repensado já à luz de outras cogitações: as que embalavam a feitura de Visão do Paraíso.
(Laura de Mello e Souza, Aspectos da Historiografia da Cultura sobre o Brasil Colonial. Em: Marcos Cezar de Freitas, Historiografia brasileira em perspectiva. Adaptado)
Sobre a obra Visão do Paraíso, é correto afirmar que ela
- A) trouxe a análise materialista para a compreensão da História e apresenta a formação do povo brasileiro determinada pela infraestrutura imposta pelo colonizador e pela superestrutura garantida pelas nações indígenas e africanas.
- B) delineia os limites da capacidade colonizadora portuguesa na América, explicitando que a mentalidade mercantil dos colonos e das autoridades metropolitanas se sobrepôs aos princípios religiosos.
- C) constitui-se em uma leitura bastante pessimista acerca do futuro nacional brasileiro, porque demonstra a formação étnica provocada pela colonização gerou uma população frágil, em razão de ser mestiça.
- D) estabeleceu um rumo inesperado para a historiografia brasileira, porque descobriu que o primado da fé, justificador da ação expansionista portuguesa, não fazia parte do imaginário dos colonos.
- E) traça a história do universo mental dos colonos portugueses da época dos descobrimentos, enfatizando-lhe o caráter mítico e explorando a tensão entre mudança e persistência.
Resposta:
A alternativa correta é letra E) traça a história do universo mental dos colonos portugueses da época dos descobrimentos, enfatizando-lhe o caráter mítico e explorando a tensão entre mudança e persistência.
Vamos analisar as alternativas para entender quais são as características da obra "Visão do Paraíso".
A) trouxe a análise materialista para a compreensão da História e apresenta a formação do povo brasileiro determinada pela infraestrutura imposta pelo colonizador e pela superestrutura garantida pelas nações indígenas e africanas.
INCORRETO. A obra "Visão do Paraíso" de Sérgio Buarque de Holanda não se baseia na análise materialista da história, que é uma abordagem que enfatiza os aspectos econômicos e sociais como determinantes da história. A obra de Sérgio Buarque foca na mentalidade dos colonizadores portugueses, explorando a tensão entre mudança e persistência, e não na infraestrutura ou superestrutura. Alternativa errada.
B) delineia os limites da capacidade colonizadora portuguesa na América, explicitando que a mentalidade mercantil dos colonos e das autoridades metropolitanas se sobrepôs aos princípios religiosos.
INCORRETO. A obra de Sérgio Buarque não se concentra na mentalidade mercantil dos colonos e das autoridades metropolitanas, mas sim na mentalidade dos colonizadores portugueses, que incluía tanto aspectos religiosos quanto mercantis. Além disso, a obra não se propõe a delinear os limites da capacidade colonizadora portuguesa na América, mas sim a explorar a tensão entre mudança e persistência na mentalidade dos colonizadores. Alternativa errada.
C) constitui-se em uma leitura bastante pessimista acerca do futuro nacional brasileiro, porque demonstra a formação étnica provocada pela colonização gerou uma população frágil, em razão de ser mestiça.
INCORRETO. A obra "Visão do Paraíso" não faz uma leitura pessimista acerca do futuro nacional brasileiro, nem argumenta que a formação étnica provocada pela colonização gerou uma população frágil por ser mestiça. Alternativa errada.
D) estabeleceu um rumo inesperado para a historiografia brasileira, porque descobriu que o primado da fé, justificador da ação expansionista portuguesa, não fazia parte do imaginário dos colonos.
INCORRETO. A obra "Visão do Paraíso" de Sérgio Buarque de Holanda não argumenta que o primado da fé não fazia parte do imaginário dos colonos. Ao contrário, a obra explora a tensão entre mudança e persistência na mentalidade dos colonizadores portugueses, que incluía tanto aspectos religiosos quanto mercantis. Alternativa errada.
E) traça a história do universo mental dos colonos portugueses da época dos descobrimentos, enfatizando-lhe o caráter mítico e explorando a tensão entre mudança e persistência.
CORRETO. A obra "Visão do Paraíso" de Sérgio Buarque de Holanda explora a tensão entre mudança e persistência na mentalidade dos colonizadores portugueses. A obra enfatiza o caráter mítico dessa mentalidade, explorando a forma como essa mentalidade influenciou a colonização do Brasil e a formação da sociedade brasileira.
Portanto, a alternativa correta é a LETRA E.
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