O Eixo Temático I envolve o “sistema colonial” e a realidade efetiva da colonização: política metropolitana versus diversificação econômica e interesses locais. Sobre o ensino e aprendizagem desse tópico, segundo as recomendações do Centro de Referência Virtual, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
I. Muitos alunos saem do Ensino Fundamental e Médio sem saberem, por exemplo, que existiram outras atividades econômicas em Minas Gerais do século XVIII além da mineração, isso mesmo durante o período de apogeu da mineração.
II. É preciso que a ideia de colônia passiva seja construída e trabalhada dentro de sala de aula para que o aluno consiga compreender aspectos importantes da vida colonial, muitos deles inseridos nas propostas curriculares do Ensino Fundamental e Médio.
III. Não se enxerga mais a colônia como um simples apêndice, mas acredita-se que essa tinha vida e dinâmica própria.
Estão corretas as afirmativas:
- A) I e III, apenas.
- B) II e III, apenas.
- C) I e II, apenas.
- D) I, II e III.
Resposta:
A alternativa correta é letra A) I e III, apenas.
Gabarito: ALTERNATIVA A
O Eixo Temático I envolve o “sistema colonial” e a realidade efetiva da colonização: política metropolitana versus diversificação econômica e interesses locais. Sobre o ensino e aprendizagem desse tópico, segundo as recomendações do Centro de Referência Virtual, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
- I. Muitos alunos saem do Ensino Fundamental e Médio sem saberem, por exemplo, que existiram outras atividades econômicas em Minas Gerais do século XVIII além da mineração, isso mesmo durante o período de apogeu da mineração.
Esta é uma dificuldade muito grave que o processo de ensino-aprendizagem enfrenta quando se insiste em organizar a história por ciclos fechados. No caso da História do Brasil, convencionou-se durante muito tempo que os ciclos econômicos seriam suficientes para explicar o processo histórico do período colonial, partindo do extrativismo do pau-brasil até a ascensão do café já no Império. No entanto, essa organização disciplinar tem um efeito absolutamente perverso: cerceia a imaginação histórica do estudante a tal ponto que ele não consegue sequer imaginar, por exemplo, que continuou existindo vida e (óbvio!) engenhos de açúcar no Nordeste brasileiro durante o ciclo do ouro: o ensino fez com que a indústria açucareira desaparecesse no tempo e no espaço quando se descobriu importantes veios de ouro no interior do continente. A apresentação dos ciclos econômicos cria a falsa impressão de que todas as demais atividades econômicas (e sociais) vividas na colônia sublimam junto com o fim de um ciclo ou que todas são completamente substituídas por um novo ciclo. No caso específico do chamado ciclo do ouro, o destaque absoluto dado à mineração acaba por eclipsar toda a incrível instalação de uma nova sociedade na capitania das Minas Gerais no século XVIII. A visão maniqueísta entre colônia e Metrópole organizada em torno da exploração aurífera dificulta muito que o estudante consiga visualizar a existência de toda uma sociedade nova em torno da mineração. AFIRMATIVA VERDADEIRA.
- II. É preciso que a ideia de colônia passiva seja construída e trabalhada dentro de sala de aula para que o aluno consiga compreender aspectos importantes da vida colonial, muitos deles inseridos nas propostas curriculares do Ensino Fundamental e Médio.
Nas últimas décadas, há um grande esforço historiográfico para superar as visões maniqueístas que contrapunham Metrópole e colônia como opostos inconciliáveis: a verdade é que havia inúmeras instâncias de negociação e de interpenetrações entre o poder central português e o cotidiano da vida colonial.Como exposto acima, havia uma tendência de eclipsar vários aspectos do período colonial, preferindo dar relevo às grandes estruturas e às formas mais esquemáticas em detrimento à organização social e ao cotidiano das coisas. E as novas prioridades curriculares exigem diretamente do professor estar atento à formação social brasileira; ou seja, exige-se exatamente o oposto: a compreensão de uma vida ativa na colônia para que se possa alcançar aspectos importantes da vida colonial. Afirmativa falsa.
- III. Não se enxerga mais a colônia como um simples apêndice, mas acredita-se que essa tinha vida e dinâmica própria.
Conforme comentado acima, há uma nova abordagem geral para o período colonial brasileiro, exatamente por refutar a ideia de uma reprodução perfeita das vontades metropolitanas sobre a realidade cotidiana da colônia. Refuta-se, portanto, a noção de que a colônia seria um apêndice metropolitano desprovido de dinâmica própria. AFIRMATIVA VERDADEIRA.
Portanto, são verdadeiras as afirmativas I e III.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e III, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) I, II e III.
Note bem o estudante que havia uma clara consonância entre as afirmativas verdadeiras, com ambas abordando praticamente o mesmo tema. A afirmativa II praticamente invalidava as outras duas por defender a noção de uma "colônia passiva", o que era insustentável nas outras duas afirmativas. Ora, se as alternativas indicavam que existia, pelo menos, duas afirmativas corretas, isso implicava que não se poderia conciliar, de maneira alguma, a afirmativa II. Ou seja, a resposta poderia ser extraída de maneira lógica com um mínimo conhecimento sobre o tema. Sem mais, está correta a ALTERNATIVA A.

Deixe um comentário