Leia atentamente o texto abaixo:
“O movimento resultou da conjugação de três forças: uma parcela do exército, fazendeiros do Oeste paulista e representantes das classes médias urbanas que, para a obtenção dos seus desígnios, contaram indiretamente com o desprestígio da Monarquia e o enfraquecimento das oligarquias tradicionais.”
(VIOTTI da COSTA, Emília. Da Monarquia à República. Momentos decisivos. São Paulo: Editora Brasiliense, 4ª Ed. 1987, p.361.).
No texto acima, o movimento a que se refere a autora foi:
- A) A Abolição dos Escravos.
- B) A Proclamação da República.
- C) A assinatura da Lei Eusébio de Queiróz.
- D) A assinatura da Lei das Hipotecas.
- E) A aprovação de subsídios para estimular a imigração de trabalhadores europeus.
Resposta:
A alternativa correta é letra B) A Proclamação da República.
Gabarito: ALTERNATIVA B
(VIOTTI da COSTA, Emília. Da Monarquia à República. Momentos decisivos. São Paulo: Editora Brasiliense, 4ª Ed. 1987, p.361.).
No texto acima, o movimento a que se refere a autora foi:
O texto em tela trata da Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, que foi um conjunto de fatores de baixo apelo popular, mas que já vinham adensando as oposições desde a década de 1870. Em primeiro lugar, a nobreza mais próxima ao Imperador (os cafeicultores fluminenses) vinha sofrendo um relativamente rápido declínio econômico com a perda de produtividade das suas lavouras ao mesmo tempo que o Oeste paulista assumira a vanguarda econômica do país com cafezais muito mais produtivos. Na prática, isso queria dizer que a elite econômica já não mais coincidia com a elite política, minando o apoio à monarquia, já que o governo não dialogava mais com harmonia com os principais agentes econômicos do país. Ao se verem como a principal força econômica do país mas ainda assim distantes do centro do poder e sem uma perspectiva de descentralização de poderes, o novo baronato do café paulista foi se aglutinando em torno da proposta republicana, fundando, inclusive, o mais forte partido republicano da época: Partido Republicano Paulista (PRP).
Paralelamente, as pressões sobre o desmonte da escravidão vinham ganhando vulto nas principais cidades do país e o movimento abolicionista granjeara vitórias e posições importantes; no entanto, a nobreza fluminense, vendo suas propriedades e lavouras perderem força, agarrava-se à escravidão como uma forma de manutenção do seu patrimônio. Com a irreversibilidade das ações abolicionistas a partir da década de 1870, esses nobres perdiam força econômica e criavam grandes problemas políticos para a monarquia, que também perdia seus mais aguerridos defensores. Ao passo que as elites do nordeste e de São Paulo já davam como perdida a manutenção da escravidão, a elite fluminense gastava grandes esforços políticos para protelar o seu fim, levando consigo importantes capitais políticos de toda a monarquia. Com isso, fortaleceu-se uma certa classe média urbana na década de 1880, que se comprometeu enormemente com a causa da Abolição, mas viu na erosão geral da monarquia a necessidade de se passar para a república. Com isso, lideranças republicanas começaram a atuar com muita desenvoltura na imprensa das principais cidades, fazendo com que a questão se impusesse na ordem do dia e expusesse o grande desgaste do Império.
Por fim, há de se observar que crescia no seio das Forças Armadas o sentimento de atraso geral do país, que, para eles, só poderia ser superado com a adesão ao positivismo europeu, o que incluía o estabelecimento da República. Uma vez revalorizados, reorganizados e fortalecidos após o esforço da Guerra do Paraguai (1864-1870), os militares passaram a ter um papel importante no universo político do Império, ocupando cargos e sendo voz ativa dentro dos debates. Com o crescimento do pensamento republicano e positivista entre o jovem oficialato, os desgastes entre a corporação e os políticos foram se tornando mais profundos, com intervenções delicadas do mundo civil na ordem militar. Não por acaso, foi a tentativa de encarcerar importantes lideranças militares que precipitou todo o processo que selaria definitivamente o golpe contra a monarquia. Assim, observemos as alternativas propostas.
a) A Abolição dos Escravos.
b) A Proclamação da República.
c) A assinatura da Lei Eusébio de Queiróz.
d) A assinatura da Lei das Hipotecas.
e) A aprovação de subsídios para estimular a imigração de trabalhadores europeus.
É importante se observar que a Abolição da Escravidão (e não dos escravos) foi resultado de um longuíssimo desgaste da monarquia com a questão, a qual já estava em pauta desde 1850, quando a Lei Eusébio de Queiróz estabeleceu a proibição da importação de escravos. Em 1888, quando da assinatura da Lei Áurea, a quantidade de escravos era bastante reduzida e já não havia mais condições políticas de se manter a escravidão como um todo. Ou seja, tratou-se de um ato político da monarquia para tentar preservar a estabilidade geral do regime, e não de um golpe de Estado. O incentivo à atração de imigrantes europeus foi uma prática presente em praticamente toda a segunda metade do século XIX, principalmente para expandir a mão de obra ao mesmo tempo em que se tentava alguma forma de embranquecimento da população - logo, não se trata de fato exclusivo da crise final do Império. Por fim, cumpre esclarecer que o Registro Geral de Hipotecas foi estabelecido em 1843 no contexto da estruturação do Estado promovida pelo Segundo Reinado (1840-1889) em seus primeiros anos; isto é, trata-se de algo muito distante do que estamos tratando aqui. Sem mais, está correta a ALTERNATIVA B.
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