“O ‘café com leite’ exprime a ideia de que uma aliança entre São Paulo e Minas comandou, no período, a política nacional. A realidade era, porém, mais complexa do que isso. Para entendê-la, devemos olhar mais de perto as relações entre a União e pelo menos três Estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul -, bastante diversos entre si.” (FAUSTO, Boris. História do Brasil. 13ª edição. São Paulo: Edusp, 2009, p.265).
Reflita sobre a República Velha (1889-1930), leia e julgue as afirmações:
I– A Política dos Governadores na República Velha (1889-1930) tinha o intuito de unir os interesses dos políticos locais, membros das oligarquias da época, juntamente ao governo federal, para assim, garantir o controle do poder político.
II– O coronelismo, portanto, foi se desenvolvendo ao longo do século XIX, existente tanto nos meios rurais como nas cidades. A força dos coronéis garantia o sucesso das oligarquias na República Velha, pois se utilizavam da troca de favores e do voto de cabresto como forma de garantir o poder daquelas oligarquias, que eram os grupos que exerciam o controle político e econômico naquele período.
III– O período denominado República da Espada (1889-1894), leva esse nome, pois durante esses anos o Brasil foi governado pelos militares Deodoro da Fonseca (1891-1892), Floriano Peixoto (1892-1894) e Hermes da Fonseca (1894-1898).
Escolha a alternativa correta.
- A) As afirmações I e II estão corretas.
- B) As afirmações II e III estão corretas.
- C) Apenas a afirmação I está correta.
- D) Apenas a afirmação II está correta.
- E) Apenas a afirmação III está correta.
Resposta:
A alternativa correta é letra A) As afirmações I e II estão corretas.
Gabarito: Letra A
As afirmações I e II estão corretas.
Analisemos as afirmativas:
I- A Política dos Governadores na República Velha (1889-1930) tinha o intuito de unir os interesses dos políticos locais, membros das oligarquias da época, juntamente ao governo federal, para assim, garantir o controle do poder político. (correta)
A política dos governadores, estabelecida durante a presidência de Campos Sales (1898-1902), era um sistema de alianças entre o governo federal e os governos estaduais, no qual em troca de apoio dos governos estaduais à presidência e especialmente aos seus candidatos aos cargos políticos, o governo federal se comprometia a apoiar as oligarquias dominantes em cada Estado, evitando intervir em assuntos particulares a esses estados e concedendo verbas, empregos e favores aos seus aliados. Com a política dos governadores, o governo federal passou a sustentar os grupos dominantes em cada estado, fortalecendo as oligarquias locais e aumentando o poder dos coroneis em troca de apoio eleitoral para o Executivo federal, criando, assim, uma rede de clientelismo que se repetia do nível federal ao nível municipal.
II- O coronelismo, portanto, foi se desenvolvendo ao longo do século XIX, existente tanto nos meios rurais como nas cidades. A força dos coronéis garantia o sucesso das oligarquias na República Velha, pois se utilizavam da troca de favores e do voto de cabresto como forma de garantir o poder daquelas oligarquias, que eram os grupos que exerciam o controle político e econômico naquele período. (correta)
O termo coronel teve origem na criação da Guarda Nacional, em 1831, momento em que postos de comando na Guarda Nacional passaram a ser oferecidos aos fazendeiros que recebiam o título de coronel. Título esse que passou a ser atribuído aos grandes proprietários de terras da Primeira República, mesmo depois da extinção da Guarda Nacional, em 1918. A figura do coronel esteve bastante presente no sistema político da Primeira República.
Durante a Primeira República, o governo central era marcado pelo predomínio das oligarquias agrárias, ou seja, dos grandes proprietários rurais, que se tornaram verdadeiros chefes ou líderes políticos das cidades e regiões onde estavam estabelecidos, e por isso eram chamados de “coronéis”.
Como o voto era aberto, ou seja, os eleitores eram obrigados a revelar publicamente em que candidato votavam, os coronéis, podiam pressioná-los para controlar suas escolhas, por vezes até mesmo pelo uso de capangas e ameaças. Daí o termo coronelismo em referência às suas práticas de dominação e de mando e a expressão “voto de cabresto” para indicar a pressão exercida por esses coronéis sobre os eleitores. Os quais votavam por variados motivos: obediência, lealdade ou gratidão ao coronel, e também em busca de algum favor, como dinheiro, animais, serviços médicos e roupas.
Esses sistema garantia a predominância dos grupos oligárquicos a frente do poder, tanto municipal, quanto estadual ou federal.
III- O período denominado República da Espada (1889-1894), leva esse nome, pois durante esses anos o Brasil foi governado pelos militares Deodoro da Fonseca (1891-1892), Floriano Peixoto (1892-1894) e Hermes da Fonseca (1894-1898). (incorreta)
O período denominado República da Espada (1889-1894) leva esse nome devido aos governos militares de Deodoro da Fonseca e de Floriano Peixoto. Tendo Deodoro Fonseca governado durante o período do Governo Provisório (1889-1891) e por mais alguns meses durante o ano de 1891, e Floriano Peixoto governado de 1891 até 1894. O governo de Hermes da Fonseca (1910-1914) não faz parte desse período.
Referências:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 3. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VAINFAS, Ronaldo et ali. História: o mundo por um fio: do século XX ao XXI, volume 3. São Paulo: Saraiva, 2010.
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