A alternativa correta é letra D) luta pela terra, que se unia ao misticismo, à mobilização social e à rejeição ao caráter oficialmente laico da República brasileira.
Gabarito: Letra D
Luta pela terra, que se unia ao misticismo, à mobilização social e à rejeição ao caráter oficialmente laico da República brasileira.
O arraial de Canudos, localizado no interior da Bahia, às margens do rio Vaza-Barris, reuniu em torno do líder religioso Antônio Conselheiro, nordestinos do semiárido que viviam, ao tempo da presidência de Prudente de Morais (1894-1898), uma vida miserável agravada por uma série de condições:
- Declínio da produção açucareira;
- Constantes secas;
- Prepotência dos coronéis/fazendeiros;
- A instalação de uma República que não trouxe qualquer benefício para essa população.
Diante desse quadro, a fundação da comunidade de Belo Monte por Conselheiro, para onde milhares de pessoas se mudaram, chegando a cerca de 20 a 30 mil habitantes, significava para essa população a busca por um pedaço de terra onde pudessem viver em paz e superar a situação de fome e seca que viviam no sertão. Para isso, na comunidade, praticava-se o sistema comunitário, em que as colheitas, os rebanhos e o fruto do trabalho eram repartidos e o excedente vendido ou trocado com os povoados vizinhos; não havia cobrança de tributos; eram proibidas a prostituição e a venda de bebidas alcóolicas; e o povoado possuía normas, representando uma alternativa de sociedade para os sertanejos que buscavam escapar da lógica de dominação dos coronéis da região.
A comunidade de Canudos, pelo seu crescimento e organização, pela mobilização gerada, pela luta da terra que representava e pelo seu caráter de organização própria independente da República, acabou assustando as elites baianas e os governos estaduais e federal que passaram a combate-la sob a justificativa de que se tratava de uma comunidade monarquista que ameaçava a República, quando não passava de uma comunidade religiosa messiânica, que buscava desenvolver um modo de vida próprio capaz de suprir as necessidades materiais e morais/espirituais de seus habitantes.
Por que as demais estão incorretas?
Letra A: abolição da escravidão, que unia a defesa do retorno da monarquia ao esforço de aumentar a exportação do açúcar nordestino.
O movimento de Canudos não estava relacionado à abolição da escravidão e não tinha por finalidade a luta pelo aumento da exportação do açúcar nordestino. A comunidade de Canudos visava suprir as necessidades materiais de seus próprios habitantes e organizou um sistema comunitário com normas próprias para esse fim.
Letra B: valorização do bom selvagem, que unia elementos da ideologia positivista a princípios do pensamento iluminista.
O movimento de Canudos não estava relacionado à valorização do bom selvagem e também não unia elementos da ideologia positivista e do pensamento iluminista. A religião católica era o ideal por trás da formação dessa comunidade, que buscou consolidar um estilo próprio de vida visando o bem-estar de seus habitantes.
Letra C: eliminação da influência política da Igreja católica, que unia crenças milenaristas à recusa da institucionalização das religiões.
O movimento de Canudos não tinha por finalidade a eliminação da influência da Igreja Católica. A Igreja Católica considerava os principais líderes de Canudos perigosos porque, ao seu ver, desviavam os fiéis dessa instituição e da “verdadeira fé”.
Letra E: tradição cultural brasileira, que unia a intolerância às ideologias estrangeiras à valorização das manifestações culturais indígenas.
O movimento de Canudos não representou uma tradição cultural brasileira que unia intolerância às ideologias estrangeiras e valorização das manifestações indígenas. Era apenas uma comunidade religiosa, que buscava desenvolver um modo de vida próprio capaz de suprir as necessidades materiais e morais/espirituais de seus habitantes.
Referências:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 3. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VAINFAS, Ronaldo et ali. História: o mundo por um fio: do século XX ao XXI, volume 3. São Paulo: Saraiva, 2010.