Sobre os abolicionismos e os republicanismos no Brasil é correto afirmar que
- A) os abolicionistas não admitiam o fim da escravidão sem indenização aos senhores de escravos, uma vez que defendiam o respeito ao direito de propriedade, sendo contrários à abolição sem indenização.
- B) não existe relação entre as lutas abolicionistas e republicanas no Brasil, uma vez que os republicanos eram defensores da escravidão, não permitindo no movimento republicano a presença de abolicionistas.
- C) o movimento abolicionista, tanto quanto o republicano, era marcado pela pluralidade de ideias e propostas acerca da escravidão e da monarquia. Assim, existiam abolicionistas radicais e moderados, da mesma forma que republicanos radicais e moderados.
- D) os republicanos não admitiam o fim da monarquia por meios violentos, mas apenas pela via legal, através de uma lei aprovada no Parlamento decretando a República, tal como aconteceu em 15 de novembro de 1889.
Resposta:
A alternativa correta é letra C) o movimento abolicionista, tanto quanto o republicano, era marcado pela pluralidade de ideias e propostas acerca da escravidão e da monarquia. Assim, existiam abolicionistas radicais e moderados, da mesma forma que republicanos radicais e moderados.
Gabarito: Letra C
O movimento abolicionista, tanto quanto o republicano, era marcado pela pluralidade de ideias e propostas acerca da escravidão e da monarquia. Assim, existiam abolicionistas radicais e moderados, da mesma forma que republicanos radicais e moderados.
Não havia um único movimento abolicionista nem um único movimento republicano. Tanto um quanto outro movimento possuíam uma variedade de propostas e projetos. Dessa forma, havia abolicionistas que defendiam o sistema monárquico e abolicionistas que aderiram ao sistema republicano; alguns abolicionistas acreditavam que a abolição deveria ser feita de forma progressiva, outros defendiam uma ruptura radical, uma parte deles defendia a criação de leis abolicionistas, enquanto outra parte procurava incentivar e auxiliar a fuga de escravos.
Enquanto alguns atentavam-se somente para a questão da liberdade jurídica dos escravos, outros defendiam a implementação de um projeto que trouxessem não só liberdade para os cativos, mas também permitisse sua integração na sociedade como cidadãos, havia ainda os que advogavam o pagamento de indenização aos proprietários de escravos e os que propunham uma abolição sem indenização.
No movimento republicano, José Murilo de Carvalho aponta para a existência de diferentes projetos de cidadania no alvorecer da República. Isso significa pensar em concepções diferentes para o sistema republicano. Enquanto para alguns a cidadania deveria ser ampliada para grande parcela da população, notadamente para aqueles que acabaram de sair da escravidão, para outros a cidadania deveria estar mais restrita. Assim, podemos dizer que havia projetos republicanos mais radicais e outros mais conservadores, bem como o dos positivistas, ligados ao exército que acreditavam em um executivo forte e central em detrimento do poder legislativo e da ideia de federação.
Por que as demais estão incorretas?
Letra A: os abolicionistas não admitiam o fim da escravidão sem indenização aos senhores de escravos, uma vez que defendiam o respeito ao direito de propriedade, sendo contrários à abolição sem indenização.
O abolicionismo não apresentou um único projeto ou proposta acerca do fim da escravidão, assim, existiam abolicionistas que defendiam o fim da escravidão sem indenização e os que defendiam que a escravidão fosse abolida com indenização aos proprietários de escravos.
Letra B: não existe relação entre as lutas abolicionistas e republicanas no Brasil, uma vez que os republicanos eram defensores da escravidão, não permitindo no movimento republicano a presença de abolicionistas.
Existe sim uma relação entre as lutas abolicionistas e republicanas no Brasil. A maneira como foi conduzida a abolição da escravidão no Brasil acabou acelerando a transformação do regime político brasileiro de monarquista para republicano. Além disso, havia entre os republicanos tanto os que tinham sido favoráveis ao processo de abolição da escravidão quanto aqueles que não queriam o fim do sistema escravista.
Letra D: Os republicanos não admitiam o fim da monarquia por meios violentos, mas apenas pela via legal, através de uma lei aprovada no Parlamento decretando a República, tal como aconteceu em 15 de novembro de 1889.
Como já vimos, tanto o movimento republicano como o movimento abolicionista foram plurais em seus projetos tanto de abolição da escravidão quanto de instalação do regime republicano. E a própria programação da República brasileira não se deu pela via legal, como afirma a alternativa, mas sim por meio de um movimento militar que envolveu também as elites do país.
Referências:
CAMPOS, Flavio de. A escrita da história: ensino médio: volume único. 1ª ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005.
CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia da Letras, 1987.
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 2. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VAINFAS, Ronaldo et ali. História: o longo século XIX, volume 2. São Paulo: Saraiva, 2010.
Deixe um comentário