A expansão dos anos 70 fez da economia brasileira a oitava economia do mundo capitalista, em termos de capacidade produtiva, ficando atrás apenas dos países altamente industrializados. (…)
Esse crescimento intenso e rápido da economia brasileira apoiou-se em três bases principais.
(Francisco M. P. Teixeira e Maria Elizabeth Totini, História econômica e administrativa do Brasil)
As “três bases principais” desse crescimento, conhecido como milagre econômico, foram
- A) a intervenção do Estado na economia, o grande capital nacional e a forte presença do capital estrangeiro.
- B) a ênfase na agricultura de subsistência, a privatização de empresas estatais e o uso de tecnologia nacional.
- C) o predomínio da indústria leve, a proibição de multinacionais e o financiamento privado das obras de infraestrutura.
- D) a distribuição equilibrada de renda, os investimentos estrangeiros e a importação de tecnologia chinesa.
- E) o favorecimento às microempresas nacionais, o liberalismo e a política oficial de aumento dos salários.
Resposta:
A alternativa correta é letra A) a intervenção do Estado na economia, o grande capital nacional e a forte presença do capital estrangeiro.
Gabarito: Letra A
Se no começo da ditadura, sob a presidência de Castello Branco fortaleceu-se um programa liberal internacionalista modernizante, durante o governo de Médici voltou à cena o nacional estatismo, próprio da tradição varguista.
Nesse período conhecido como “anos de chumbo”, mas também como “anos de ouro” devido ao “milagre econômico”, o Estado voltava a incentivar, regular, financiar e proteger, intervindo ativamente nos mais variados setores econômicos. Além disso, reforçava o papel das empresas estatais. Associadas ao capital privado, nacional e estrangeiro, eram subsidiadas pelo governo por vezes mesmo à custa de prejuízos.
Com base na combinação desses três elementos: intervenção do Estado na economia, grande capital nacional e forte presença do capital estrangeiro a economia passou a crescer a altas taxas anuais, tendo como base o aumento da produção industrial – especialmente da indústria automobilística – o crescimento na geração de energia elétrica, o crescimento das exportações (bens manufaturados, veículos, etc) e a acentuada utilização de capitais estrangeiros, na forma de investimentos diretos e empréstimos.
Ao mesmo tempo a propaganda oficial chamava de “milagre brasileiro” o desenvolvimento observado.
Por que as demais estão incorretas?
Letra B: Durante o período assinalado, o projeto reformista do governo de João Goulart fundamentado na distribuição de terras e na agricultura familiar cedeu lugar ao incentivo às grandes unidades agrícolas, mecanizadas, aumentando a produção e possibilitando o aparecimento de novas culturas. Além disso, como já vimos, o papel das empresas estatais foi reforçado, não havendo a privatização das mesmas.
Letra C: As locomotivas no processo de desenvolvimento econômico desse período foram as indústrias automobilística, de eletrônicos e a construção civil. Mesmo que as indústrias leves também tenham crescido, não foram elas a base do crescimento econômico verificado. Também não houve proibição ao funcionamento de multinacionais. Além disso, mesmo que o governo buscasse reduzir as importações de bens de capital (máquinas, equipamentos) que eram significantes nas empresas estatais, tecnologias sofisticadas também eram importadas nessa época.
Letra D: Durante o período do “milagre econômico” a concentração de renda no país se intensificou. O próprio presidente Médici teria admitido o lado desfavorável do “milagre brasileiro” ao afirmar: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. Também não há a importação de tecnologia chinesa já que as relações diplomáticas entre Brasil e China estavam rompidas desde o golpe de 1964.
Letra E: Como vimos, nesse período da ditadura, o liberalismo foi substituído pelo nacional-estatismo. Além disso, a contrapartida do crescimento econômico verificado foi a adoção, pelo governo, de uma rígida política de arrocho salarial, diante da qual os trabalhadores e os sindicatos não podiam reagir, devido à repressão política.
Resposta baseada nas fontes:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral, volume 3. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
REIS FILHO, Daniel Aarão. Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988. 1. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
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