“A carta, como imagem que é, não pode ser considerada simples ilustração, pois trata-se sobretudo de um instrumento que se presta à informação, à pesquisa, à reflexão e serve também como auxílio à decisão”. (FONSECA, Fernanda e OLIVA, Jaime. A Geografia e suas linguagens: o caso da Cartografia, in CARLOS, Fani (org.).A Geografia na sala de aula. Contexto: São Paulo, 2012, pág. 68) A citação acima é uma paráfrase do artigo do geógrafo francês Jean-Paul Bord, Le Géographe et la Carte, publicada em 1997 na revista Cybergeo (nº 17), onde é feito uma profunda análise sobre o papel da Cartografia junto à Geografia, no entendimento do espaço geográfico. Até os dias atuais, ainda, é comum atribuir à representação cartográfica um caráter neutro, estático e não ideológico. Dentre os exemplos abaixo, um deles demonstra esse tipo de caráter, como é o caso:
simples ilustração, pois trata-se sobretudo de um instrumento
que se presta à informação, à pesquisa, à reflexão e serve
também como auxílio à decisão”.
(FONSECA, Fernanda e OLIVA, Jaime. A Geografia e suas linguagens: o caso da Cartografia,
in CARLOS, Fani (org.).A Geografia na sala de aula. Contexto: São Paulo, 2012, pág. 68)
Jean-Paul Bord, Le Géographe et la Carte, publicada em
1997 na revista Cybergeo (nº 17), onde é feito uma profunda
análise sobre o papel da Cartografia junto à Geografia, no
entendimento do espaço geográfico. Até os dias atuais, ainda,
é comum atribuir à representação cartográfica um caráter neutro,
estático e não ideológico. Dentre os exemplos abaixo, um
deles demonstra esse tipo de caráter, como é o caso:
- A)da projeção azimutal, que permite representar com mais fidelidade os contornos de uma área menor, como a Antártida ou o Brasil, com poucas distorções
- B)do atual planisfério, derivado da projeção de Mercator, que coloca a Europa como centro do mundo, expressando a supremacia deste continente em relação aos outros
- C)da projeção de Peters, que não leva em conta o formato dos continentes, mas a proporção de tamanho entre os continentes como forma de desfazer a ideia de que as terras do hemisfério norte é muito maior que o hemisfério sul
- D)da divisão geoeconômica do território brasileiro, que não segue o contorno dos estados da federação, uma vez que procura acompanhar a dinâmica das transformações espaciais que ocorrem ao longo do tempo, promovidas pela sociedade como um todo
Resposta:
A alternativa correta é B)
A citação apresentada destaca a importância da carta geográfica como um instrumento que vai além da mera ilustração, servindo como ferramenta essencial para a informação, pesquisa e tomada de decisões. Essa perspectiva é reforçada pela referência ao trabalho do geógrafo francês Jean-Paul Bord, que analisa o papel da Cartografia no entendimento do espaço geográfico, questionando a visão tradicional que a considera neutra e desprovida de influências ideológicas.
Entre as opções apresentadas, a alternativa B) exemplifica claramente como a representação cartográfica pode refletir e reforçar visões de mundo específicas. O planisfério derivado da projeção de Mercator, ao colocar a Europa no centro do mapa, não apenas distorce as proporções reais dos continentes, mas também reproduz uma narrativa histórica de supremacia europeia. Essa escolha cartográfica não é técnica ou neutra, mas carregada de significado político e cultural.
As outras alternativas, embora relevantes, não representam o mesmo caráter ideológico. A projeção azimutal (A) busca fidelidade em áreas menores, enquanto a projeção de Peters (C) e a divisão geoeconômica do Brasil (D) são tentativas de corrigir ou questionar distorções e dinâmicas espaciais. Portanto, a resposta correta é B), pois evidencia como a Cartografia pode ser um instrumento de poder e dominação simbólica.

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