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Questões Sobre Crise do Sistema Colonial - História - Vestibular Tradicional

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1) Leia atentamente o que diz a fonte histórica abaixo:

Questão de história sobre a crise no sistema colonial

Neste ano de 2017, o Estado de Pernambuco comemora os 200 anos da chamada “Revolução

Pernambucana”, um forte movimento de insurreição ocorrido no final do período colonial, que culminou com a tomada do poder e a criação de um governo provisório que tentou arduamente manter-se de pé (como vemos acima). Evocando ainda os ecos da Revolução Francesa e inscrita num contexto histórico de processos de independência pela América Espanhola, a “Revolução Pernambucana” de 1817, apesar de derrotada (durou pouco mais de 70 dias), pode ser considerada um dos mais relevantes movimentos de luta pela emancipação política na história do Brasil.

 

A respeito da Revolução Pernambucana e sua atualidade histórica, é CORRETO afirmar.

  • A) Possuía um forte sentimento de defesa da Metrópole portuguesa, pois os insurretos reivindicavam o aumento dos impostos e grandes privilégios aos comerciantes portugueses.
  • B) O movimento teve a participação apenas de padres e bispos, não contando com o apoio de outros segmentos da sociedade pernambucana, pois seus líderes (como Frei Caneca) defendiam ardorosamente a criação de uma Monarquia de Direito Divino.
  • C) Vista aos olhos do século XXI, a Revolução Pernambucana de 1817, na história do País, nada significou, pois se tratou de um movimento liderado por nações estrangeiras como a França e a Inglaterra.
  • D) Os acontecimentos históricos que geraram o movimento insurrecional não teriam sido possíveis sem a aliança necessária com as forças internas, representadas pelas tropas militares de D. Pedro I, que, cinco anos depois, proclamaria a independência.
  • E) Uma das marcas indeléveis e atuais deste movimento na história política do Brasil foi a luta pela implantação de um governo republicano, marcado pela igualdade de direitos e a tolerância religiosa, muito embora tenha deixado intocado o tema da escravidão.
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A alternativa correta é a letra E)

 

Historicamente, a região de Pernambuco foi um polo de resistência ao poder estabelecido. Desde a implantação das Capitanias Hereditárias em 1534 até o século XIX, Pernambuco foi palco de lutas contra o poder. Em 1817, ocorreu a denominada “Revolução Pernambucana”, uma revolta de caráter separatista e republicano apoiada em ideias iluministas. Os revoltosos chegaram a tomar o poder, porém sem apoio popular e sem tocar no tema da escravidão, o movimento fracassou. A alternativa [E] está correta.

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2) Quando, em 1815, a Coroa elevou o Brasil à condição de “reino”, o evento foi comemorado localmente, com a invocação de metáforas seculares acerca do triunfo da civilização europeia sobre a selvageria indígena. A “antiga nudez” da América, escreveu um cronista no Rio, cobria-se agora com a “coroa brilhante” e “o real manto de púrpura” do próprio monarca português.

SCHULTZ, K. A crise do Império e a questão da escravidão. p.70/71. Fonte: http://revista.arquivonacional.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/88/88

O texto aponta para a mudança do estatuto da condição de colônia do Brasil, que, mesmo assim, não conseguiu alterar práticas e realidades coloniais, tais como a

  • A) escravidão.
  • B) industrialização.
  • C) servidão voluntária.
  • D) superioridade racial.
  • E) dependência cultural.
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A alternativa correta é a letra A)

Somente a alternativa [A] está correta. Com a derrota de Napoleão em 1815 na batalha de Waterloo, foi realizado o Congresso de Viena visando refazer o mapa Europeu e restaurar a velha ordem apoiados em princípios, tais como, legitimidade, restauração e equilíbrio. Neste contexto, o Brasil perdeu o estatuto de colônia tornando-se “Reino Unido a Portugal e Algarves”, porém tal título nada significava para a grande maioria da população brasileira composta por negros, índios e mestiços.

3) Atente ao seguinte fragmento da obra da historiadora Emília Viotti da Costa, a respeito do processo de independência do Brasil:

“A ordem econômica seria preservada, a escravidão mantida. A nação independente continuaria subordinada à economia colonial, passando do domínio português à tutela britânica. A fachada liberal construída pela elite europeizada ocultava a miséria e a escravidão da maioria dos habitantes do país. Conquistar a emancipação definitiva da nação, ampliar o significado dos princípios constitucionais seria tarefa relegada aos pósteros”.

COSTA, Emília Viotti da. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1987. p.125.

Considerando o processo de independência do Brasil, assinale a afirmação verdadeira.

  • A) Não ocorreu nenhuma ocultação dos reais problemas sociais e econômicos do país após a independência, já que a elite local buscou solucioná-los imediatamente.
  • B) Apenas ocorreu a independência econômica do Brasil, mas não a política, pois a elite nacional europeizada submeteu-se aos interesses da Inglaterra.
  • C) Pelo fato de a monarquia ter sido logo adotada como forma de governo, a independência não representou mudanças sociais significativas, pois estas ficariam a cargo de gerações futuras.
  • D) Não houve acordo de independência com os Britânicos, que reagiram o quanto puderam à independência do Brasil, já que ela representaria a real autonomia econômica do país.
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A alternativa correta é a letra C)

O texto é bastante claro no aspecto da opinião da autora: nossa Independência, nos moldes em que ocorreu, e a adoção da Monarquia como forma de governo a partir dela, não provocou mudanças significativas na estrutura do país, além da autonomia política. Questões como a manutenção do privilégio econômico das elites agrárias e a continuidade da escravidão foram problemas que ficaram para as gerações futuras.

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4) Leia atentamente o seguinte excerto:

“O papel de herói da Inconfidência Mineira cabe ainda a Tiradentes porque ele foi o inconfidente que recebeu a pena maior: a morte na forca, uma vez que o próprio réu, durante a devassa, assumiu para si toda a culpa. Sabe-se, no entanto, que sua morte se deve também em grande parte à acusação dos demais inconfidentes, bem como a sua condição social: pertencente à camada média da sociedade mineira, sem importantes ligações de família, sem ilustração nem boas maneiras”.

Cândida Vilares Gancho & Vera Vilhena de Toledo. Inconfidência Mineira. São Paulo, Editora Ática, Série Princípios,1991. p.45.

Sobre a Inconfidência Mineira, ocorrida em Vila Rica no período da mineração aurífera, é correto afirmar que

  • A) representou o exemplo de revolta popular contra a dominação colonial portuguesa no Brasil, uma vez que, oriunda das camadas mais humildes de Minas Gerais, inclusive escravos, chegou a contagiar indivíduos pertencentes às mais altas posições sociais.
  • B) foi uma representação dos interesses de grupos da elite local, intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros, em livrarem-se do controle e dos impostos cobrados pela coroa portuguesa na região, mas não havia consenso em relação à libertação dos escravos.
  • C) marcou o início do processo de independência do Brasil, baseado na luta armada do povo contra as forças leais a Portugal, e em defesa dos ideais liberais e republicanos, como o fim da escravidão, direito ao voto universal masculino e governo presidencialista.
  • D) apesar de bem sucedida, com a proclamação da independência de Minas Gerais, teve pouco impacto na história do Brasil, uma vez que seus objetivos extremamente populares não foram bem aceitos pelas elites econômicas de outras regiões da colônia.
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A alternativa correta é a letra B)

 

Somente a alternativa [B] está correta. No contexto da crise do sistema colonial que teve início no final do século XVIII, a Inconfidência Mineira de 1789, foi a primeira manifestação de caráter separatista. Foi um movimento de viés elitista, sem preocupação social, inspirado nas ideias iluministas e defendia a separação em relação a metrópole, adotar República, criar uma universidade em Vila Rica, mudar a capital para São João Del Rei, entre outros objetivos.

5) Ao proclamar sua responsabilidade exclusiva pela inconfidência, Tiradentes favoreceu

  • A) os conspiradores brasileiros e portugueses que pretendiam fazer dele o herói de uma epopeia nacional.
  • B) os companheiros de movimento e poetas Claudio Manuel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga.
  • C) seus cúmplices e escritores Basílio da Gama e Gregório de Matos.
  • D) os revoltosos e fanáticos monarquistas agrupados num arraial de Minas Gerais.
  • E) os companheiros intelectuais que propagavam suas causas nos jornais do primeiro Império.
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A alternativa correta é a letra B)

Ao assumir total responsabilidade pelo Movimento, Tiradentes livra outros inconfidentes das pesadas penas impostas pela Coroa Portuguesa. Dentre os inconfidentes estavam Manuel da Costa e Antonio Gonzaga.

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6) Pode-se afirmar que, a partir da metade do século XVIII, a

  • A) expansão do movimento de autonomia da colônia debilitou os fundamentos do Antigo Regime europeu, estimulou o surgimento do nacionalismo e produziu desdobramentos de cunho político em todo território americano.
  • B) tentativa portuguesa de impedir o desenvolvimento de relações comerciais diretas entre a colônia e os países europeus levou a Inglaterra a auxiliar os inconfidentes mineiros nos movimentos pela libertação da colônia.
  • C) cominação colonial começou a apresentar sintomas de esgotamento, e entrou em fase de reformas que não conseguiram resolver a crise, gerada pela emergência do capitalismo industrial.
  • D) intensa participação popular nos movimentos de libertação colonial, inspirados pelos ideais do despotismo esclarecido, promoveu uma violenta repressão, aos líderes dos revoltosos, pelos exércitos enviados pela metrópole portuguesa.
  • E) elite colonial, que até então pôde enriquecer e participar do desenvolvimento colonial, teve seus interesses obstaculizados pelos resultados da guerra portuguesa na região platina e exigia ressarcimento do ônus da guerra.
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A alternativa correta é a letra C)

Dentre os sintomas do esgotamento colonial podemos citar o atraso econômico e comercial, uma vez que a Colônia não podia desenvolver manufaturas por Decreto Real, e os altos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa, como o Quinto e a Derrama.

7) Observe a charge abaixo e responda a questão a seguir.

Questão de história - Crise do sistema colonial

A charge faz referência a uma determinação instituída na segunda metade do século XVIII que foi:

  • A) a outorga das leis restritivas de escravidão no reino, assinadas no ano de 1781 por D. José I, tendo à frente como idealizador das mesmas o Marquês de Pombal.
  • B) a criação das Companhias de Comércio do Estado do Grão-Pará e do Maranhão, em 1755, que garantiam o monopólio da Coroa por toda a atividade de comércio no Brasil.
  • C) o Alvará de 1785, que foi uma medida criada por D. Maria I, o qual proibia, entre outras atividades, a instalação de manufaturas no Brasil.
  • D) o estabelecimento do Alvará de 1756 referente a atividade agrícola das Vinhas do Alto Douro instaladas na Capitania do Maranhão e Grão-Pará.
  • E) o Alvará de 1773 que livrava os ditos “Cristãos-Novos” de origem judaica da ameaça inquisitorial permitindo a instalação de companhias de comércio no Brasil.
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A alternativa correta é a letra C)

Depois da modernização realizada por Marques de Pombal, 1750-1777, ministro do rei de Portugal José I, um déspota esclarecido, dona Maria conhecida como a “louca”, assumiu adotando medidas que contrárias àquelas criadas por Pombal. O Alvará de 5 de janeiro de 1785, proibia o estabelecimento de manufaturas e indústrias no Brasil e em todos os seus domínios ultramarinos. O objetivo da medida era promover a “riqueza nacional” através da agricultura. Vale dizer que esse Alvará foi revogado em 1808 no contexto da Abertura dos Portos. Gabarito [C].

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8) A classe dominante brasileira era, em sua maioria, conservadora (…). Desejava manter as estruturas econômicas e sociais coloniais baseadas no sistema agrícola, na escravidão e na exportação de produtos agrícolas tropicais para o mercado europeu. Contudo, havia nas cidades (…) alguns liberais que esperavam mudanças mais profundas na política e na sociedade: soberania popular, democracia e mesmo uma república.

(BETHELL, Leslie. A independência do Brasil. In: História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2009. V. 3, p. 213.)

A aceitação de D. Pedro pela elite senhorial, como líder do processo de independência do Brasil, eclodido em 1822, visava a

  • A) manter nosso país sob a tutela da metrópole lusitana.
  • B) evitar transformações mais bruscas na ordem social e política.
  • C) defender a República como sistema de governo para o novo país.
  • D) impossibilitar a escolha do regime monárquico após a emancipação.
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A alternativa correta é a letra B)

Somente a alternativa [B] está correta. O processo de independência do Brasil começou em 1808 com a Abertura dos Portos que acabou com o pacto colonial, um esteio do sistema colonial. Em 1822, a elite agrária de viés conservador se aliou ao jovem D. Pedro I rompendo com a metrópole portuguesa. Era o 07 de setembro de 1822. A proposta da elite era consolidar a independência mantendo a estrutura colonial de dominação evitando convulsão social e política.

9) O que ocorreu na Bahia de 1798, ao contrário das outras situações de contestação política na América Portuguesa, é que o projeto que lhe era subjacente não tocou somente na condição, ou no instrumento, da integração subordinada das colônias no império luso. Dessa feita, ao contrário do que se deu nas Minas Gerais (1789), a sedição avançou sobre a sua decorrência.

JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000.

A diferença entre as sedições abordadas no texto encontrava-se na pretensão de

  • A) eliminar a hierarquia militar.
  • B) abolir a escravidão africana.
  • C) anular o domínio metropolitano.
  • D) suprimir a propriedade fundiária.
  • E) extinguir o absolutismo monárquico.
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A alternativa correta é a letra B)

As Conjurações Mineira e Baiana, a despeito de objetivarem a Independência, tinham bases e ideais diferentes. Dentre esses ideais, a abolição da escravatura: era um desejo da Conjuração Baiana, mas não fazia parte dos ideais da Inconfidência Mineira.

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10) Entre os combatentes estava a mais famosa heroína da Independência. Nascida em Feira de Santana, filha de lavradores pobres, Maria Quitéria de Jesus tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões de voluntários, decidiu se alistar às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiu-se de homem e incorporou-se às fileiras brasileiras com o nome de Soldado Medeiros.

GOMES, L. 1822. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

No processo de Independência do Brasil, o caso mencionado é emblemático porque evidencia a

  • A) rigidez hierárquica da estrutura social.
  • B) inserção feminina nos ofícios militares.
  • C) adesão pública dos imigrantes portugueses.
  • D) flexibilidade administrativa do governo imperial.
  • E) receptividade metropolitana aos ideais emancipatórios.
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A alternativa correta é a letra A)

A estrutura social brasileira (desde os tempos coloniais até o Império) aproximava-se do padrão militar utilizado mundo afora a partir da exclusividade da participação masculina no combate militar, uma vez que nossa sociedade era patriarcal. Por isso, a história de Maria Quitéria de Jesus contradiz a rigidez hierárquica da nossa estrutura social.

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