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(ESPM SP/2019) As tentativas holandesas de conquista dos territórios portugueses na América tinham por objetivo central a apropriação do complexo açucareiro escravista do Atlântico Sul, então monopolizado pelos portugueses.

A partir do texto e considerando a economia açucareira e a civilização do açúcar, é correto assinalar:

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Resposta:

A alternativa correta é a letra c)

A metrópole portuguesa estabeleceu o monopólio real sobre a produção e o comércio do açúcar na América, visando a garantir os lucros da Coroa e dos senhores de engenho. No entanto, a comercialização do açúcar passou para os porões dos navios holandeses, que acabaram por assumir parte substancial do tráfego entre Brasil e Europa. Isso ocorreu porque os holandeses eram os principais financiadores, transportadores e refinadores do açúcar brasileiro, e tinham uma rede de distribuição eficiente e competitiva no mercado europeu. Com a União Ibérica (1580-1640), que colocou Portugal e suas colônias sob o domínio da Espanha, os holandeses foram excluídos desse comércio, pois eram inimigos dos espanhóis. Para não perderem esse negócio lucrativo, os holandeses invadiram e ocuparam as áreas produtoras de açúcar no Nordeste brasileiro, entre 1624 e 1654, e também nas Antilhas espanholas.

As outras alternativas são incorretas, pois:

  • a) A cana de açúcar não era um produto autóctone, ou seja, nativo do Brasil, mas sim originária da Ásia, e foi trazida pelos portugueses para a América. O açúcar já era conhecido e apreciado pelos portugueses e pelos europeus desde a Idade Média, mas era um produto caro e escasso, importado do Oriente. Com a colonização do Brasil, os portugueses encontraram condições favoráveis para o cultivo da cana e a produção do açúcar em larga escala, reduzindo os custos e aumentando a oferta do produto no mercado europeu.
  • b) A produção e a comercialização do açúcar não ocorreram sob a influência do livre-cambismo, mas sim do mercantilismo, que era a doutrina econômica predominante na Europa entre os séculos XV e XVIII. O mercantilismo defendia a intervenção do Estado na economia, o controle do comércio exterior, a acumulação de metais preciosos e a exploração das colônias. O livre-cambismo, por sua vez, era uma ideia contrária ao mercantilismo, que defendia a liberdade de comércio, a concorrência entre os produtores e a não interferência do Estado na economia. O livre-cambismo só ganhou força na Europa a partir do século XVIII, com o advento do liberalismo econômico.
  • d) Os portugueses não mantiveram um rigoroso monopólio sobre o processo de produção e refinação do açúcar, pois eles dependiam dos holandeses para financiar, transportar e refinar o açúcar brasileiro. Os holandeses tinham mais tecnologia e experiência na refinação do açúcar, que era feita em seus próprios territórios, e também tinham uma frota naval mais eficiente e segura para o transporte do produto. Os portugueses só permitiam a participação de estrangeiros na comercialização do produto quando isso lhes era vantajoso, mas não tinham como impedir a concorrência dos holandeses no mercado europeu.
  • e) Para a implantação da indústria canavieira no Brasil, o projeto colonizador luso precisava contar com mão de obra compulsória e abundante, dada a extensão do território e a demanda do mercado, mas não privilegiou a utilização dos nativos, cuja captura não proporcionava grandes lucros para a coroa. Os indígenas foram as primeiras vítimas da escravidão no Brasil, mas eles se mostraram insuficientes e resistentes ao trabalho forçado nas plantações de cana. Além disso, a escravidão indígena enfrentou a oposição dos jesuítas, que defendiam a conversão e a proteção dos nativos. Por isso, os portugueses recorreram à escravidão africana, que era mais lucrativa e duradoura, e que se tornou a base da economia açucareira.
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