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(FGV/2018) A vida privada dos escravos romanos à época do Império é um espetáculo pueril que se olha com desdém. No entanto, esses homens tinham vida própria; por exemplo, participavam da religião, e não apenas da religião do lar que, afinal, era o seu: fora de casa, um escravo podia perfeitamente ser aceito como sacerdote pelos fiéis de alguma devoção coletiva; podia também se tornar padre dessa Igreja cristã que nem por um momento pensou em abolir a escravidão. Paganismo ou cristianismo, é possível que as coisas religiosas os tenham atraído muito, pois bem poucos outros setores estavam abertos para eles. Os escravos também se apaixonavam pelos espetáculos públicos do teatro, do circo e da arena, pois, nos dias de festa, tinham folga, assim como os tribunais, as crianças das escolas e… os burros de carga.

(Paul Veyne, O Império Romano. Em: Paul Veyne (org.). História da vida privada v. 1: do Império Romano ao ano mil, 2009. Adaptado)

A partir da discussão presente no trecho, é correto afirmar:

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Resposta:

A alternativa correta é a letra B.

A partir da discussão presente no trecho, é correto afirmar que os escravos na sociedade romana não eram uma coisa, mas seres humanos, na medida em que até os senhores que os tratavam desumanamente impunham-lhes o dever moral de ser bons escravos, de servir com dedicação e fidelidade, características necessariamente humanas; no entanto, esses seres humanos eram igualmente um bem cuja propriedade seu amo detinha.

O trecho mostra que, apesar da condição de escravidão, os escravos romanos tinham uma vida própria, que incluía a participação na religião, seja ela pagã ou cristã, e o gosto pelos espetáculos públicos, que lhes proporcionavam momentos de lazer e diversão. Esses aspectos revelam que os escravos eram dotados de sentimentos, crenças e preferências, que os tornavam seres humanos e não meros objetos. No entanto, essa humanidade não era reconhecida pelos seus senhores, que os tratavam como propriedades e os exploravam de diversas formas. Os escravos eram submetidos a uma quase absoluta redução de direitos, podendo ser vendidos, alugados, castigados ou libertados conforme a vontade do seu amo. Mesmo depois da alforria, os escravos libertos não tinham os mesmos direitos e privilégios dos cidadãos romanos

Portanto, o trecho aponta para a contradição entre a humanidade dos escravos e a desumanidade da escravidão na sociedade romana. As outras alternativas estão incorretas, pois:

  • A) A origem étnica não era a única forma de escravização na Roma Antiga. Os romanos também podiam se tornar escravos por dívidas, por crimes, por nascimento ou por abandono. A escravidão entre os próprios romanos não caiu em desuso, mas foi abolida por uma lei no século IV
  • C) A escravidão não caracterizava as relações de produção em Roma, pois havia também outras formas de trabalho, como o trabalho livre, o trabalho assalariado, o trabalho familiar e o trabalho dos colonos. Além disso, os escravos não estavam associados apenas às formas braçais de trabalho, mas também exerciam funções intelectuais, artísticas, administrativas e religiosas
  • D) A justificativa moral da escravidão não sofreu uma intensa transformação ao longo dos séculos, mas sim uma adaptação às circunstâncias históricas. A sociedade romana não questionou a escravidão, mas sim as condições de vida dos escravos, que podiam gerar revoltas e conflitos. O cristianismo não contribuiu para a crise do escravismo, mas sim para a sua legitimação, pois aceitou a escravidão como uma ordem natural e divina
  • E) As relações escravistas não caracterizaram apenas os tempos da República romana, mas também os do Império. A escravidão não entrou em decadência na passagem para o Império, mas sim se expandiu e se diversificou, acompanhando o crescimento territorial e populacional de Roma. Os generais que centralizaram o poder não reconheciam na escravidão um mecanismo de enfraquecimento do exército, mas sim uma fonte de riqueza e prestígio.
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