Questões Sobre Regime Jurídico Administrativo - Direito Administrativo - concurso
991) Em decorrência da conformação constitucional dos princípios da administração, é correto afirmar quesupre a exigência de publicidade a divulgação dos atos administrativos na imprensa não-oficial, pela televisão ou pelo rádio, desde que em horário oficial.
- A) Certo
- B) Errado
A alternativa correta é letra B) Errado
O item está ERRADO.
Para Diógenes Gasparini, órgão oficial é o jornal, público ou privado, destinado à publicação dos atos estatais. Atualmente, tem sido corrente o Diário Oficial na forma eletrônica pela Internet. No Recurso Extraordinário 71.652, por exemplo, o STF registrou que a publicidade não é atendida com a mera notícia, veiculada pela imprensa falada, escrita ou televisiva do ato praticado pela Administração Pública, mesmo que seja divulgada pela Voz do Brasil.
992) Considerando as noções de Estado, governo e administração pública, julgue o item a seguir.Os fins da administração pública são aqueles definidos pelo administrador.
- A) Certo
- B) Errado
A alternativa correta é letra B) Errado
O item está ERRADO.
Um dos ingredientes da Administração Pública é o princípio da indisponibilidade do interesse público. De acordo com este postulado, os fins a serem perseguidos pelos administradores são aqueles delineados pelas leis, não lhes competindo escolher entre fazer ou não fazer, quando o interesse público demanda "por fazer". Os servidores são guardiães da coisa pública, não havendo, no caso, titulação. Os servidores atuam como zeladores, guardas, das coisas alheias.
Acrescento que, mesmo quando o ato é discricionário, assim entendido como o garantidor de maior margem de conveniência e oportunidade, não há que se cogitar de fins definidos pelo administrador. Como observa a doutrina, a discricionariedade é a margem de escolha permitida em lei, de forma expressa ou implícita, mas, repito, estabelecida em lei.
993) Dispõe o caput do art. 37. da Constituição da República:
- A) Certo
- B) Errado
A alternativa correta é letra A) Certo
O item está CERTO.
Para Maria Sylvia, exigir impessoalidade da Administração tanto pode significar que esse atributo deve ser observado em relação aos administrados como à própria Administração. No primeiro sentido, o princípio estaria relacionado com a finalidade pública que deve nortear toda a atividade administrativa. Significa que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento. Aplicação desse princípio encontra-se, por exemplo, no artigo 100 da Constituição, referente aos precatórios judiciais; o dispositivo proíbe a designação de pessoas ou de casos nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para esse fim.
De fato, não há dúvida de que a Administração persegue sempre o interesse público, a finalidade pública. No entanto, há várias ocasiões em que a Administração atua por provocação do particular. Por exemplo: o restaurante "X", depois de reiterados assaltos, decide requerer à Polícia Federal porte de arma para o estabelecimento. Atendidos os requisitos, a PF poderá ou não autorizar o porte, por se estar diante de ato discricionário. Mas, ao conceder, perceba que houve, ao mesmo tempo, atendimento do interesse do particular [autorização do porte de arma] e da finalidade pública, pois sem o pressuposto de interesse público não haveria o consentimento com a prática do ato.
994) O princípio da legalidade, no Direito Administrativo, explicita a subordinação da atividade administrativa à lei e surge
- A) por força da isonomia dos administrados perante as políticas públicas.
- B) da disponibilidade do interesse público.
- C) da obrigatoriedade do desempenho da atividade pública, como dever da Administração.
- D) como decorrência do controle externo do ato administrativo.
- E) como decorrência natural da indisponibilidade do interesse público.
A alternativa correta é letra E) como decorrência natural da indisponibilidade do interesse público.
A resposta é letra E.
Como nos ensina Dirley Cunha, sabe-se que, no âmbito das relações privadas, vige a ideia de que tudo que não está proibido em lei está permitido. Nas relações públicas, contudo, o princípio da legalidade envolve a ideia de que a Administração Pública só pode atuar quando autorizada ou permitida pela lei. A norma deve autorizar o agir e o não agir dos sujeitos da Administração Pública, pois ele é integralmente subserviente à lei.
Os demais itens estão incorretos. Vejamos:
Na letra A, o regime jurídico administrativo é o conjunto de normas e de princípios que regem a Administração. Este regime é formado por dois grandes princípios, comparados, por assim dizer, a verdadeiros alicerces. São os princípios da supremacia e o da legalidade. A legalidade é que nos remete à indisponibilidade do interesse público, ou seja, a liberdade da Administração é vigiada pelo Legislador.
Na letra B, decorre da indisponibilidade do interesse público. Os agentes públicos não são titulares dos interesses públicos, são curadores, zeladores, guardiões da coisa pública. A coisa pública não está sujeita à vontade livre dos administradores, por indisponível.
Na letra C, como sobredito, a legalidade decorre do princípio da indisponibilidade do interesse público. A obrigatoriedade do desempenho é uma das decorrência da indisponibilidade, como o é o princípio da legalidade.
Na letra D, o princípio da legalidade decorre da indisponibilidade. O controle externo do ato administrativo idem, também decorre da indisponibilidade do interesse público. Eventuais transgressões à ordem jurídica habilitam a própria Administração cancelar seus atos. Mas uma vez omissa no seu dever, abre-se espaço para, por exemplo, atuação do Poder Judiciário [típico controle externo].
995) O contexto de Administração Pública, que a Constituição Federal subordina à observância dos princípios fundamentais de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (é)
- A) abrange órgãos e entidades dos Três Poderes das áreas federal, estadual, distrital e municipal
- B) abrange só os órgãos públicos da estrutura da União, dos Estados e dos Municípios
- C) restrito ao âmbito federal
- D) restrito aos Poderes Executivos federal, estadual e municipal
- E) restrito ao Poder Executivo Federal
A alternativa correta é letra A) abrange órgãos e entidades dos Três Poderes das áreas federal, estadual, distrital e municipal
A resposta é letra A.
Em termos de texto constitucional, o Capítulo VII, do Título III (Da organização do Estado), da Constituição da República Federativa do Brasil, consagra as normas básicas regentes da Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e proclama os princípios constitucionais essenciais para a probidade e transparência na gestão da coisa pública. São princípios constitucionais expressos no caput do art. 37 da CF (LIMPE):
Legalidade;
Impessoalidade;
Moralidade;
Publicidade e
Eficiência.
Tais princípios valem para todos os Poderes, de todos os entes integrantes da Federação Brasileira (União; estados; Distrito Federal, e municípios), e respectivas Administrações Direta e Indireta. Façamos a leitura do teor do referido dispositivo constitucional:
Art. 37 - A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...).
Daí a correção da letra A.
Acrescento que a Administração Indireta dos Estados, também chamada de Descentralizada, é formada por entidades administrativas de Direito Público (Autarquias, por exemplo) e de Direito Privado (Sociedades de Economia Mista, por exemplo).
Importante: perceba que o comando constitucional, também, dirige-se a toda a Administração Indireta, independentemente da natureza jurídica da entidade. Assim, mesmo entidades da Administração Pública que explorem atividades econômicas, como o Banco do Brasil e a Petrobras, submetem-se aos princípios constitucionais da Administração Pública. Veja uma questão da ilustre organizadora Cespe que comprova a aplicação também às entidades empresariais do Estado.
(2011/Cespe – TJ TRE ES/Administrativa/"Sem Especialidade" Acerca da administração pública e de seus princípios, julgue o próximo item. Os princípios elencados na Constituição Federal, tais como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, aplicam-se à administração pública direta, autárquica e fundacional, mas não às empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica[1].
[1] Gabarito: ERRADO.
996) Um ato administrativo estará caracterizando desvio de poder, por faltar-lhe o elemento relativo à finalidade de interesse público, quando quem o praticou violou o princípio básico da
- A) economicidade
- B) eficiência
- C) impessoalidade
- D) legalidade
- E) moralidade
A alternativa correta é letra C) impessoalidade
Questão que um candidato ‘esperto’ iria por eliminação...
O que o desvio de poder teria que ver com a economicidade/eficiência? Não há uma relação direta entre tais figuras. Ficaríamos, então, com três itens, o que já aumenta bastante a chance de acerto.
A doutrina informa que um ato praticado com desvio de poder não atenderá à finalidade de interesse público, como diz o comando da questão. Isso, então, importaria uma atuação personalística, voltada ao atendimento de alguns (e não dos interesses públicos). Por isso, quando um ato é praticado com desvio de finalidade, o princípio mais diretamente afrontado é o da impessoalidade, levando ao gabarito da questão - Letra C!
997) Considere as seguintes afirmações:
- A) Apenas I e II
- B) Apenas I e IlI
- C) Apenas II e IlI
- D) Apenas III
- E) I, lI e IlI
A alternativa correta é letra A) Apenas I e II
A questão versa acerca de assuntos diversos do direito administrativo. Nesse contexto, vamos analisar os itens para encontrar a resposta correta.
I- Segundo o princípio da impessoalidade, a Administração Pública tem que tratar a todos os administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas.
Correto. O princípio da impessoalidade norteia toda a administração pública, desde a sua relação com os administrado até o seu próprio comportamento, não podendo atuar para prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, conforme explica Maria Sylvia di Pietro (Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014):
[...]o princípio estaria relacionado com a finalidade pública que deve nortear toda a atividade administrativa. Significa que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento.
II - O exercício da atividade administrativa é feito principalmente pelo Poder Executivo, mas o Poder Legislativo e o Poder Judiciário também exercem tal tipo de atividade,
Correto. O Brasil adota um modelo de separação Flexível dos Poderes, uma vez que cada um dos poderes não se limitam a exercer as funções estatais que lhe são típicas, mas também desempenha funções denominadas atípicas, como os Poderes Legislativo e Judiciário que exercem atividade atípicas. Vejamos o que dizem Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 15-16):
Esse modelo - separação de Poderes flexível - foi o adotado pela Constituição Federal de 1988, de sorte que cada um dos Poderes não se limita a exercer as funções estatais que lhe são típicas, mas também desempenha funções denominadas atípicas, isto é, assemelhadas às funções típicas de outros Poderes. Assim, tanto o Judiciário quanto o Legislativo desempenham, além de suas funções próprias ou típicas (respectivamente, jurisdicional e legislativa), funções atípicas administrativas, quando, por exemplo, exercem a gestão de seus bens, pessoal e serviços. Por outro lado, o Executivo e o Judiciário desempenham função atípica legislativa (este, na elaboração dos regimentos dos tribunais; aquele, quando expede, por exemplo, medidas provisórias e leis delegadas). Finalmente, o Executivo e o Legislativo exercem, além de suas funções próprias, a função atípica de julgamento (o Executivo, quando profere decisões nos processos administrativos; o Legislativo, quando julga autoridades nos crimes de responsabilidade, na forma do art. 52, 1, II, e parágrafo único, da Constituição).
Incorreto. A autarquia tem natureza jurídica de Direito PÚBLICO e seus bens e receitas não se confundem com os da Administração Direta, uma vez que as autarquias gozam de patrimônio próprio, o qual gere, como pessoa jurídica de direito público autônoma, conforme lição de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 41):
As autarquias são entidades administrativas autônomas, criadas por lei específica, com personalidade jurídica de direito público, patrimônio próprio e atribuições estatais determinadas.
Portanto, estão corretos os itens I e II, gabarito LETRA A.
998) Na definição de Seabra Fagundes – “Administrar é aplicar a lei de ofício.” – o princípio subjacente é o da
- A) legalidade.
- B) oficialidade.
- C) auto-executoriedade.
- D) formalidade.
999) A participação do usuário na administração pública direta e indireta dar-se-á, entre outros, mediante os seguintes instrumentos, exceto:
- A) representação contra o exercício negligente ou abuso de cargo, emprego ou função na administração pública
- B) garantia de manutenção de serviços de atendimento ao usuário
- C) avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços
- D) acesso ilimitado dos usuários a registro administrativo e informações sobre atos de governo
- E) reclamação relativa à prestação dos serviços públicos em geral
A alternativa correta é letra D) acesso ilimitado dos usuários a registro administrativo e informações sobre atos de governo
A resposta é letra D.
O §3º do art. 37 dispõe que a lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços (princípio da participação popular).
O erro é que o acesso às informações não é irrestrito. Há informações sigilosas, como as que digam respeito à Segurança Nacional. Para Edmir Neto a publicidade geral, produtora de efeitos, é a publicação, no órgão oficial (...). Em princípio todo ato administrativo deve ser publicado, só se admitindo a decretação de sigilo nos casos especiais de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior da Administração (...).
1000) A vedação à Administração Pública de, por meio de mero ato administrativo, conceder direitos, criar obrigações ou impor proibições, vincula-se ao princípio da
- A) legalidade
- B) moralidade
- C) impessoalidade
- D) hierarquia
- E) eficiência
A alternativa correta é letra A) legalidade
O princípio da legalidade é da essência do Estado de Direito e, por isso, fundamental para o Direito Administrativo, já que este nasce com aquele.
É fruto da necessária submissão do Estado à Lei. Consagra a ideia de que por meio da norma geral, abstrata e, portanto, impessoal, editada pelo Poder Legislativo, a atuação da Administração objetiva a concretização da vontade geral (art. 1º, parágrafo único, da CF/1988).
De acordo com a acepção doutrinária clássica do princípio da legalidade, a Administração Pública só pode fazer aquilo que a norma/lei determina, permite, autoriza, de modo expresso ou implícito.
Assim, atos administrativos, quando secundários, não são veículos adequados para a criação de direitos e obrigações, sob pena de ferimento ao princípio da legalidade.
Gabarito: A
